SINDECOF-DF e CUT-DF garantem reintegração de servidor

Após as férias, o analista de relações públicas do Conselho Federal de Administração (CFA), Paulo Gustavo, pretendia voltar às tarefas normais no trabalho. Entretanto, assim que retornou, no dia 8 de setembro, o servidor foi surpreendido com a carta de demissão que, como justificativa, dizia que o Conselho não precisava mais dos trabalhos do analista. “Não pude nem mexer no meu computador e fui escoltado por uma pessoa do Recursos Humanos, mesmo quando estava me despedindo dos meus colegas, até eu me retirar do prédio”, conta. A ação descabida do CFA foi duramente combatida pelo SINDECOF-DF – Sindicato dos Empregados em Conselhos e Ordens de Fiscalização Profissional e Entidades Coligadas e Afins do Distrito Federal e pela CUT-DF, que pressionaram e garantiram, na tarde desta sexta-feira (16), a reintegração do servidor.

“A reunião foi muito rápida. O presidente do Conselho já foi falando que tinha uma boa notícia e anunciou a reintegração do Paulo”, disse o Secretário Geral do SINDECOF-DF, Douglas de Almeida Cunha. Segundo o sindicalista, será aberto um processo administrativo para dar ao trabalhador direito à ampla defesa. Neste período, Paulo Gustavo ficará afastado do trabalho para não ser alvo de qualquer tipo de assédio moral, mas receberá seus vencimentos normalmente. Todo o processo será acompanhado pelo Sindecof, que também fará a defesa do servidor. “Essa vitória mostra a importância de organizarmos as diversas categorias de trabalhadoras através de um sindicato comprometido com o trabalhador. Essa também é uma função da CUT-DF que, junto com o SINDECOF-DF, garantiram a justiça no local de trabalho”, avalia o presidente da CUT-DF, José Eudes.   Pressão   Como forma de denunciar a ação truculenta contra o trabalhador, o SINDECOF-DF realizou na noite dessa quinta-feira (15) um ato em frente ao Conselho Federal Administrativo. Com uma caixa de som virada para dentro do prédio, manifestantes, dirigentes do Sindicato, Paulo Gustavo e sua família pediam justiça. Do lado de fora, faixas denunciavam com dizeres como “basta de demissões injustas” e “exigimos processo administrativo”. Uma caixa cheia de bananas também foi colocada em frente ao prédio junto com um adesivo que dizia: “Oferecemos o mesmo que o CFA oferece a seus empregados”. Após algumas horas de falação, o Presidente da CUT-DF e o Secretário Geral do SINDECOF-DF exigiram uma reunião com o presidente do Conselho, Sebastião Luiz de Mello, para tentar reverter a situação, exigência que, no mesmo dia, foi acatada. Perseguição Sem qualquer reclamação ou advertência, Paulo Gustavo trabalhou durante um ano no Conselho Federal de Administração. Com ingresso através de concurso público, Paulo Gustavo conta que a perseguição da chefe imediata, que tem cargo de confiança, começou após uma reclamação feita pelo trabalhador à superintendência do Conselho. Segundo Paulo, todas as formas de impedir o desempenho de suas funções foram feitas pela chefe, inclusive a transferência de suas funções a estagiários. “Eu pedia cursos que, segundo ela, não podiam ser pagos para mim, mas eram pagos para estagiários”, lembra. Depois disso, conta o servidor demitido injustamente, Paulo começou a agir por conta própria. “Se ela (a chefe) falasse de uma revista, por exemplo, eu já corria atrás, procurava artigos e outras coisas antes mesmo dela passar a demanda para qualquer pessoa”, afirma. De acordo com Douglas de Almeida, “todo mundo que questiona irregularidades dos Conselhos são colocados para fora”. “Eles querem que todo mundo fique calado”, denuncia. O sindicalista conta que a chefe imediata de Paulo Gustavo está respondendo um processo administrativo, este por problemas com licitação. Douglas ainda afirmou que o vice-presidente do CFA chegou a dizer que havia outros servidores do Centro “causando problemas” e que esses também poderiam ser demitidos. Inconformado com a situação, Paulo Gustavo disse que vai tentar sua reintegração através do diálogo com a presidência do CFA. “Espero que ele (presidente do CFA) pelo menos me ouça”, diz. Segundo ele, se a negociação não surtir efeito, a denúncia irá parar na justiça, com processo judicial de danos morais e assédio moral. Inflexibilidade Após a mudança do presidente do CFA, as ações de desrespeito ao trabalhador ficaram ainda mais constantes. Pela primeira vez no Conselho, por exemplo, a data base da categoria, que é em maio, ainda não foi negociada. Os servidores do Conselho Federal de Administração são concursados, mas seguem o regime celetista. Entretanto, recentemente, o Superior Tribunal de Justiça deu a todos os servidores do Conselho o direito à transposição para regime estatutário.

Fonte: Sindecofdf.org.br