CUT-RS e centrais se reúnem com Lasier e cobram defesa dos direitos dos trabalhadores

A CUT-RS e centrais sindicais cobraram a defesa dos direitos dos trabalhadores frente aos ataques das federações empresarias e dos projetos retrógrados em tramitação no Congresso Nacional, durante reunião ocorrida na manhã desta segunda-feira (22) com o senador Lasier Martins (PDT-RS), no escritório do parlamentar, no centro de Porto Alegre.  Ele ouviu as cobranças dos dirigentes sindicais e manifestou alguns posicionamentos.

Pela CUT-RS, estiveram presentes o presidente Claudir Nespolo, o secretário de Comunicação Ademir Wiederkehr e o presidente do Sindicato dos Bancários de Porto Alegre, Everton Gimenis. Também participaram dirigentes da CTB, Nova Central e Força Sindical.

A reunião fora solicitada pela CUT-RS, através de oficio encaminhado no último dia 2. O mesmo pedido foi feito junto à senadora Ana Amélia (PP-RS), que ainda não deu resposta.

Defesa da CLT

As centrais defenderam a manutenção da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e denunciaram a ofensiva da Fiergs, da Fiesp e outras entidades patronais para a retirada de direitos, colocando em risco conquistas históricas da classe trabalhadora. Claudir ressaltou que “a CLT é o mínimo de proteção social para o trabalhador”.

O dirigente da CUT-RS lembrou que “a CLT não foi empecilho para o período de pleno emprego”, pois “o que puxou o emprego foi a retomada do desenvolvimento do País”. Para ele, o que existe neste momento de aumento do desemprego “é um aproveitamento do setor empresarial para precarizar o trabalho”.

Claudir destacou também que a tentativa dos empresários de colocar o negociado acima do legislado significa “rasgar a CLT e retirar direitos dos trabalhadores”. Ele entregou ao senador o panfleto unificado das centrais sindicais que convocou o ato realizado na última terça-feira (16) na Fiergs. O material aponta os principais ataques do empresariado.

Clique aqui para acessar o panfleto.

Gimenis criticou o PLS 030/2015, que prevê a terceirização sem limites, já aprovado na Câmara dos Deputados sob a truculência do ex-presidente Eduardo Cunha (PMDB-RJ). O relator é o senador Paulo Paim (PT-RS), que fez audiências públicas em todos os estados e já anunciou que apresentará um parecer contrário ao projeto.

“A terceirização, se for aprovada, vai acabar com várias categorias, como a dos bancários, na medida em que esse projeto permite que todas as funções sejam terceirizadas”, alertou o presidente do SindBancários. Ele frisou que isso seria o fim de várias conquistas, como o pagamento da gratificação semestral e da PLR.

“Sou um senador do trabalhismo”, disse Lasier. “Não vou ferir os princípios do trabalhismo”, enfatizou, explicando que optou pelo PDT por influência do pai, que era operário e getulista, e por causa da bandeira da educação, defendida pelo partido.

O senador se manifestou “contra a flexibilização da CLT”, se posicionou também “contra a terceirização, exceto na área de informática” e aproveitou para dizer que os bancos são “muito exploradores”.

Não à reforma da Previdência

As centrais também chamaram a atenção para a defesa da Previdência Social, que novamente é alvo de ataques, como a tentativa ventilada de implantar uma idade mínima de 65 anos ou 70 anos para homens e mulheres. “Não aceitamos trabalhar a vida inteira”, disse Claudir.

O presidente da CUT-RS criticou a extinção do Ministério da Previdência pelo governo interino de Michel Temer e recordou que foi aprovada no governo Dilma a lei 13.183/15, que estabelece a opção pela fórmula 85/95, que passará de forma progressiva para 90/100 em 2027, somando a idade e o tempo de contribuição. “Com essa lei, que é uma opção ao fator previdenciário, não há necessidade de nova reforma, até porque não existe déficit na Previdência”, salientou.

Lasier defendeu também a fórmula 85/95 e frisou que “a pressão sobre o Congresso é violenta”, salientando que há 31 senadores e 131 deputados citados na Operação Lava-Jato.

Ademir aproveitou para criticar o PLP 268/16, que retira participantes da gestão dos fundos de pensão. Já aprovado no Senado e em regime de urgência na Câmara, sem qualquer debate com os parlamentares e a sociedade, o projeto está na contramão das conclusões da CPI dos Fundos de Pensão, realizada pela Câmara e que contou com a participação do deputado Pompeo de Matos (PDT-RS) e que foi à tribuna contra o projeto.

“Estamos na luta contra o PLP 268/16 e, caso houver alterações na Câmara que corrijam as graves distorções do projeto, como o fim das eleições de diretores e da paridade nos conselhos deliberativo e fiscal, esperamos que sejam acolhidas pelo Senado”, disse Ademir.

Ao final da reunião, Lasier ficou de agendar novos encontros com as centrais para tratar de temas de interesse dos trabalhadores.

Fonte: Sul21